Naftaly Sztajnberg

Naftaly Sztajnberg
Data de nascimento: 30 de novembro de 1922.
Local de nascimento: Sosnowiec, Polônia.

 

Naftaly, filho de Fiszel e Kajle, tinha dois irmãos: o mais velho Itzhak e o mais novo Yossef. Sua família era pobre e o pai trabalhava como carregador. No primário, Naftali estudou numa escola judaica, onde aprendeu hebraico e polonês. Sua casa seguia as leis alimentares judaicas e seus pais eram muito religiosos. Sua cidade tinha 150 mil habitantes, sendo que 30 mil eram judeus. Sua festa preferida era Pessach, pois ganhava presentes e brincava com nozes pulando amarelinha.

Quando a Guerra começou, Naftaly trabalhava numa fábrica de papéis. Em apenas três dias, os alemães estavam em sua cidade. Mandaram todos sair de casa e permaneceram no quintal. Naftaly mentiu aos soldados dizendo que tinha somente 15 anos. Por isso, levaram presos à Prefeitura somente seu pai, seu irmão e seu avô. A barba do avô foi cortada e um, dia depois, foram libertados. Logo depois, destruíram a grande sinagoga de sua cidade. No cinema, judeus e cachorros eram proibidos de entrar.

Passaram a restringir também os locais de compras de alimentos, horas para sair de casa e onde caminhar nas ruas. Eram obrigados a usar a estrela amarela no braço. Todos os judeus foram registrados e um gueto foi estabelecido. Criado pelos nazistas nos primeiros meses de 1940, o Conselho Judaico de Sosnowiec dava ordens para os judeus e exigiam joias e outros objetos. Um dia, Naftaly foi pego atravessando uma rua proibida para judeus. Como não tinha dinheiro para pagar a multa de dois marcos, foi agredido.

Naftaly e seu irmão Itzhak foram levados ao campo de trabalho de Branden. Lá trabalhou por quase um ano fazendo estradas. Andavam cerca de 10 km até o local e só voltavam quando escurecia. Às vezes, recebiam notícias de casa por carta. Foi transferido sem o irmão para Johannesdorf, onde passou a ser maquinista.

Em seguida, foi enviado para Greivinz, outro campo de trabalhos forçados, onde foi pintor. Após passar por outros campos, chegou, ao fim de 1943, a Makstard, onde pensou que iria reencontrar seu irmão. Infelizmente, lhe informaram que ele ficara muito doente e, junto com outros prisioneiros, foi morto e cremado. Em 1944, foi para o campo de concentração Fiftaichen, onde recebeu um pijama listrado.

Em agosto de 1944, com o avanço das tropas russas em territórios ocupados pela Alemanha, os oficiais nazistas começaram a transferir os judeus dos campos que estavam no caminho das tropas inimigas para outros, dentro a Alemanha. Esses deslocamentos ficaram conhecidos como marchas da morte. Naftaly participou da marcha para Rosrozen, um campo que possuía crematório. De lá foi para o campo de Buchenwald, onde foi libertado pelos norte-americanos em 1945.

Em 1946, Naftaly passou a viver no Centro de reabilitação Kloster Indersdorf, na Baviera, que servia para abrigar crianças que ficaram desabrigadas. Além de oferecer cuidados e reabilitação, o centro ajudou a traçar as identidades das crianças e providenciar a sua adoção, o seu regresso à sua terra natal ou a sua emigração para novos países.

Naftaly pensou em ir para os EUA ou para Israel. Não tinha parentes em nenhum deles, porém escolheu Israel, pois sabia o idioma hebraico. Mesmo assim, a vida em Israel não era fácil, pois os ingleses dominavam o país. Serviu o exército de Israel por um ano. Em 1950 foi para a Áustria e, em 1956, através de amigos, resolveu vir ao Brasil. Um amigo o recebeu em São Paulo uns dias antes do ano novo judaico. Em 1957 chegou a Curitiba e começou a trabalhar como vendedor de roupas, estabelecendo-se no sul do país.

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Marian Grynbaum Burstein

Marian Grynbaum Burstein
Data de nascimento: 12 de Dezembro de 1922.
Local de nascimento: Blinów, Polônia.

 

Marian era o mais velho de quatro irmãos, filhos do casal Chemia Grynbaum e Brandia Burstein. No pequeno vilarejo, viviam apenas quatro famílias judias. Seu pai Chemia era dono de um armazém que vendia para agricultores de aldeias de toda a região. Desde os cinco anos, Marian ajudava o pai no comércio, porém dedicava-se aos estudos.

Com a Guerra iniciada, ouviam-se rumores que os alemães se aproximavam. Muitos judeus e poloneses, fugindo para o leste, chegaram a Blinow. Chemia abrigou muitos deles. Porém, em junho de 1941, os alemães invadiram a cidade e começaram a organizar trabalhos forçados. Marian e a família foram obrigados a trabalhar nos bosques, cortando árvores. Presos, conseguiu fugir, mas decidiu ser trocado pelo pai.

Marian foi levado a um campo de trabalhos forçados em Janiszów, às margens do rio Vístula. Lá, presenciou crueldades e assassinatos, porém conseguiu fugir por duas vezes. Na primeira, teve que se entregar e recebeu chicotadas como castigo. Na segunda, buscou a família para esconder-se na casa de uma vizinha polonesa chamada Josefa.

Ao abandonar a antiga casa da família, Chemia chorou. Sabia que nunca mais voltaria. No primeiro esconderijo, 14 pessoas da mesma família permaneceram por três meses. Esconderam-se novamente na casa de uma senhora chamada Ozogova, que os colocou num fundo falso no celeiro. Ali ficaram meses. Porém, as mulheres da família que ajudavam na casa foram descobertas. Era necessário fugir para os bosques.

Marian deixou a família escondida numa casa das redondezas e juntou-se a um grupo de guerrilheiros nas florestas, chamados partisans. Com poucas armas e muita organização, esses grupos lutavam contra os alemães, além de atrapalhar a comunicação, roubar os carregamentos e executar tarefas de sabotagem contra os nazistas.

Marian, com 20 anos, uniu-se ao grupo de partisans do líder Avraham Bron com uma das irmãs e logo recebeu seu codinome para as operações: Max. O combatente Marian participou de várias ações contra nazistas, incluindo dinamites para descarrilhar trens e troca constante de tiros. Judeus e não-judeus, russos e poloneses, juntavam suas forças para combater os alemães. O grupo, que começou com apenas cinquenta pessoas, chegou a ter mais de seis mil. Para os partisans, o importante era não deixar-se capturar vivo: por isso, o ideal de “morrer lutando”.

Porém, Marian sobreviveu. Num dos grandes ataques organizados pelo grupo, ele teve que escolher entre deixar a região ou permanecer com a família. Foi ao encontro dos pais e irmãos, que permaneciam escondidos e doentes. Ao ouvirem os sons das bombas, foram avisados que os russos atacavam e os alemães estavam fugindo. Abraçaram-se. Era verão de 1944. A Guerra havia terminado.

O destino da família Grynbaum Burstein foi a cidade de Krasnik, a 15 quilômetros de Blinów. Alguns poloneses pagaram-lhes dívidas da época do armazém, suficientes para sobreviverem por um tempo. Marian foi trabalhar como policial em Lublin, há 50 km, porém ficou doente e retornou. Voltou a Blinów, onde encontrou sua antiga casa intacta, porém habitada por ucranianos que lá ficaram. Marian queria deixar a Polônia.

Marian atravessou ilegalmente a fronteira com o objetivo de encontrar os pais que partiram antes com o mesmo destino: a cidade de Waldburg, na Alemanha. Porém, não os encontrou. Começou a buscá-los, sem sucesso, em todas as prisões. Pouco tempo depois, uma equipe de futebol da Tchecoslováquia chegou a Waldburg e Marian recebeu a notícia de judeus estavam no país vizinho buscando familiares. Partiu imediatamente.

Marian não os encontrou e resolveu retornar. Meses depois, em Ulm, na Alemanha, recebeu a notícia que os pais estavam vivos, na Áustria. Partiu para lá e reencontrou-os. A mãe estava doente, no hospital. Retornaram para a Alemanha e, pouco depois, recebeu o contato de uma tia que vivia na Bolívia desde antes da Guerra e para lá foram.

O irmão Samuel e uma a das irmãs saíram da Bolívia e chegou a Curitiba, onde o marido tinha conhecidos. Marian queria permanecer na Bolívia, onde trabalhava vendendo automóveis com um sócio paraguaio. Casou-se em La Paz e, enfim, foi convencido pela mãe a ir ao Brasil, onde chegou em 1960 para juntar-se a família. Marian teve duas filhas e um filho. Foi condecorado por bravura e faleceu em 2004.

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Os Justos entre as Nações

 

O Holocausto foi um crime de massas. Milhões foram mortos enquanto outros milhões perpetraram o crime, executando, denunciando e virando as costas com indiferença. Mas alguns não se deixaram levar. Os justos foram indivíduos com grande senso de justiça, altruísmo e bondade. Arriscaram suas vidas e a dos seus familiares em nome de valores maiores do que manter a própria existência. Verdadeiros heróis.

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Foi criado em Lodz, numa família católica, em uma vizinhança predominantemente judaica. Formou-se em Direito e Diplomacia em Lwów. Antes da guerra trabalhou na diplomacia. Combateu, em 1939, na invasão da Polônia pelos alemães e russos, e foi prisioneiro de guerra soviético. Ocultando a patente, conseguiu se salvar do genocídio de Katyń. Como soldado raso foi entregue aos alemães, então aliados dos soviéticos. Após fugir, ingressou nos quadros da resistência do Estado Secreto. Trabalhando como emissário, levava mensagens pelos territórios ocupados, até a França e a Inglaterra. Durante uma de suas missões em 1940, foi preso e torturado pela Gestapo, conseguindo fugir com ajuda da Resistência. Em 1942, sob o codinome de Jan Karski, que passaria a usar como seu nome, foi quem levou a mensagem sobre as atrocidades nazistas ao governo polonês no exílio, em Londres. Entrou clandestinamente no final de agosto de 1942 no gueto de Varsóvia e no campo de trânsito em Izbica Lubelska, que então se acreditava ser o campo da morte, em Bełzec. Apresentou o seu relatório sobre o Holocausto ao primeiro ministro britânico e ao presidente estadunidense. Seu apelo por ajuda aos judeus foi recebido, mas ignorado. Suas tentativas de acabar com o Holocausto e, posteriormente, de informar ao mundo sobre a indiferença dos aliados foram reconhecidas com a medalha dos Justos Entre as Nações do Mundo, em 1982. Depois da guerra foi professor na Georgetown University em Washington.

 

Nasceu no dia 4 de agosto de 1912 em Lidingö, na Suécia. Quando jovem estudou e trabalhou no estrangeiro, entre outros num banco em Haifa, onde conheceu judeus fugitivos da Alemanha de Hitler e ouviu depoimentos sobre as primeiras perseguições. Em 1936 voltou para a Suécia e começou a trabalhar com um judeu húngaro, Kálmán Lauer, proprietário de uma empresa de importação e exportação. Falando várias línguas e tendo liberdade de viajar sem restrições, Wallenberg tornou-se diretor internacional da empresa e nessa condição conheceu bem a burocracia alemã tanto na França já ocupada pelos nazistas quanto na própria Alemanha. Visitou também várias vezes a família Lauer em Budapeste. Em vista desses fatos, em 1944, Wallenberg foi nomeado primeiro-secretário da delegação sueca em Budapeste com a missão de salvar judeus húngaros do Holocausto, pois neste mesmo ano a Hungria, até então aliada dos nazistas, foi invadida e dominada pelo exército alemão.
Os judeus de Budapeste começaram a procurar ajuda, principalmente nas embaixadas dos países neutros, inclusive na da Suécia, onde graças a Wallenberg foram emitidos milhares de passaportes especiais que concederam aos judeus o status de cidadãos suecos a serem repatriados. A embaixada sueca alugou também várias casas que, gozando de proteção diplomática, serviram como refúgio para muitos judeus. O trabalho desse diplomata sueco e seus colegas salvou milhares de vidas na capital húngara. Depois da entrada do Exército Vermelho terminaram as perseguições aos judeus, mas Wallenberg foi preso pelas autoridades soviéticas. Até hoje é considerado um herói sem túmulo: o final de sua história perde-se nas prisões da União Soviética, onde – segundo as informações fornecidas pelo governo soviético à Suécia em 1957 – Wallenberg teria falecido em 1947, porém a sua morte e as circunstâncias em que se deu permanecem misteriosas. O Yad Vashem reconheceu Raoul Wallenberg como Justo entre as Nações no dia 26 de novembro de 1963. Estima-se que salvou a vida de mais ou menos 100 000 pessoas.

Marcin Raiman, professor leitor de polonês na UFPR

 

Há 70 anos, em agosto de 1944, morria fuzilado mais um prisioneiro no campo de concentração nazista de Mauthausen, por não trair seus colaboradores. Na hora dos tiros mortais, ao exclamar a primeira frase do hino nacional polonês, Henryk Sławik definia-se para poucas testemunhas como patriota. Aqui, estamos lembrando-o também por recusar-se a acreditar que a força bruta, o desrespeito pela vida humana e o uso de tecnologias de extermínio possam perdurar e vencer os preceitos mais básicos de um homem nascido no fim do século XIX: honra, lealdade e humanismo. Tal perfil moral e ético fez dele um herói: arriscando a segurança pessoal e da própria família, durante a II guerra mundial na Hungria, tomou frente no salvamento da aniquilação de literalmente milhares de pessoas.

O que levou-o à Hungria em 1939, de onde pretendia continuar a sua fuga para juntar-se ao exército polonês na França, foi exatamente a vida engajada, que colocou o seu nome na temida lista Sondersfahndungsbuch Polen.
Primeiro, lutou nos três levantes que garantiram a inclusão da Alta Silésia na Polônia independente em 1922. No entre guerras, batalhava como jornalista e membro do partido socialista (PPS) pelos direitos dos trabalhadores através do seu jornal Gazeta Robotnicza e combatia os políticos nacionalistas. Assim, um filho de simples aldeãos silesianos transformava-se em um estudioso ativista social, um parlamentar da Silésia, um diplomata que representava o país na Liga das Nações na Suiça e, após a invasão alemã à Polônia, o Governo Polonês no Exílio perante os poderes húngaros. À urgência patriota uniu-se a vocação humanitária de ajuda às famílias, às crianças órfãs e aos soldados, fugitivos da Polônia ocupada, dos quais muitos de origem e/ou religião judaica. Para resguardar a sua integridade não somente física, mas cultural, Slawik, ajudado por József Antall e pela igreja católica, providenciou documentos falsos que salvaram muitas vidas.
Ironicamente, o fato de salvar milhares não protegeu ele mesmo nem das torturas da Gestapo, nem da crueldade do fim da sua vida aos 50 anos. Pior, nem do esquecimento dos seus feitos, imposto a nós por décadas, em função de jogos políticos. As ordens póstumas de Águia Branca e de Justo entre as Nações são a nossa humilde homenagem a Henryk Slawik.

Aleksandra Piasecka-Till (UFPR)

 

Em 1938, entrou em vigor no Brasil a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Porém, entre os anos de 1936 e 1942, seu trabalho no escritório de expedição de passaportes permitiu que Aracy Moebius de Carvalho ajudasse muitos judeus alemães a conseguirem vistos para o Brasil. Com a ajuda do cônsul-adjunto e escritor João Guimarães Rosa, com quem viria a se casar, Aracy contrariou o governo brasileiro e colocou seu trabalho em risco ao omitir o “J” nos passaportes dos judeus que a procuravam. Segundo ela mesmo testemunhou, chegou a alojar judeus em sua própria casa nos dias anteriores ao embarque no porto de Hamburgo.
Aracy permaneceu na Alemanha até 1942, quando o Brasil rompeu relações diplomáticas com aquele país e passou a apoiar os Aliados. Aracy e Guimarães Rosa ficaram juntos até a morte deste, em 1967. Em 1982, a brasileira foi agraciada pelo Yad Vashem com o título de “Justa entre as Nações”.

 

Deste antes da ocupação da França pela Alemanha e a concentração dos refugiados na zona de Vichy, o embaixador Luiz Martins de Souza Dantas já vinha intercedendo em favor dos perseguidos, emitindo vistos “irregulares” de próprio punho. Como diplomata, Dantas conseguiu outorgar centenas de vistos aos refugiados judeus, mesmo com orientação oficial contrária.

Uma vez descoberto, Dantas foi acusado pelo governo brasileiro de ajudar os refugiados por estar casado com uma judia. Em contraste com as tendências antissemitas que predominavam na administração consular brasileira, ele seguiu colaborando com os refugiados. Não se sabe até quando lhes outorgou vistos, contrariando as instruções do ministro do exterior Oswaldo Aranha. As autoridades brasileiras aceitaram os vistos até 2 de agosto de 1941.

Em meados de 1944, Dantas retornou ao Brasil, depois de 14 meses confinado pelos alemães. Apesar de ter sido recebido com honras, decidiu renunciar à carreira diplomática. Quando Paris foi libertada, Dantas retornou àquela cidade, onde faleceu em 1954. Sua atitude solidária foi reconhecida em 2003, honrado pelo Yad Vashem como “Justo entre as Nações”.

 

 

O casal vivia na aldeia de Losośna, Polônia, nos arredores de Grodno. Lá, trabalhavam como caseiros da residência de campo da família judia Zandman. Na noite de 13 de fevereiro de 1943, o gueto de Grodno foi liquidado. Sender Frejdowicz e seu sobrinho Felix Zandman, de 15 anos, escaparam das deportações e buscaram abrigo no campo. Foram acolhidos por Anna, que trabalhava para a mãe de Felix.

Durante 17 meses, Felix e outras cinco pessoas ficaram escondidas num esconderijo sob o assoalho da casa. O espaço era muito pequeno: 120 cm de altura, 170 cm de comprimento e 150 cm de largura.

Sender Frejdowicz fez regras estritas para garantir que os fugitivos, sem qualquer privacidade, mantivessem sua dignidade humana. Ele também ensinou matemática ao sobrinho Felix, mantendo um rigoroso calendário de aulas. Graças à coragem, Jan e Anna Puchalski foram capazes de impedir que o esconderijo fosse descoberto.

Anos mais tarde, Felix Zandman transformou-se num dos maiores especialistas em Física e fotoelasticidade do mundo. Fundou e presidiu a Vishay Intertechnology – uma gigante na fabricação de componentes eletrônicos, até sua morte, em 2011 . Em 1986, o Yad Vashem reconheceu Jan e Anna Puchalski como Justos entre as Nações. Suas filhas Irena, Krystyna e Sabina foram reconhecidas como Justas em 1987.

 

Cresceu junto com os seus vizinhos judeus em Otwock, brincando de ensinar polonês às outras crianças do bairro e aprendendo iídisch com elas. Após a conclusão do curso de Letras Polonês na Universidade de Varsóvia em 1931 deu início ao seu caminho profissional como assistente social. Logo após a eclosão da guerra em 1939, Irena fazia parte das células clandestinas de ajuda à população judia. Perante o aprisionamento definitivo de 400 mil judeus dentro do gueto de Varsóvia, arriscando a pena de morte, Irena percorria as ruas do gueto, cheias de pessoas padecendo de fome, levando-lhes alimentos, medicamentos e roupas. Como colaboradora do Conselho Clandestino de Ajuda aos Judeus (Zegota), sob o codinome Jolanta, Irena liderava as ações de retirada das crianças judias para o outro lado do muro. Salvar as crianças do extermínio iminente significava ensiná-las a serem outras pessoas. Contudo, Jolanta não poupou esforços em salvar as verdadeiras identidades dos “seus filhos”, anotando seus dados e assim criando a “Lista de Sendler”.

Em 1943 foi presa e torturada pela Gestapo durante cem dias. Em vista da divergência das convicções de Irena em relação às visões do governo da Polônia pós-guerra, uma grande parte da sociedade polonesa não teve consciência dos seus feitos heróicos. Em 1965 foi premiada com a medalha dos Justos Entre as Nações do Mundo pelas autoridades israelenses, que em 1991 nomearam-na também cidadã honorária de Israel. Em 2003 foi homenageada com o Prêmio Jan Karski e com a mais alta distinção polonesa – a Ordem da Águia Branca. Foi também candidata ao prêmio Nobel da Paz. Sua vida durou 98 anos e salvou mais de 2500 vidas. Dizia: “Sozinha, eu não teria feito nada”.

 

 

Aleksander Laks

Aleksander Henryk Laks
Data de nascimento: 28 de Outubro de 1927.
Local de nascimento: Lodz, Polônia.

 

Seu calvário começou quando o exército nazista invadiu a Polônia, em setembro de 1939. A partir daí, sua vida e de sua família transformou-se numa luta diária pela sobrevivência. Aleksander deparou-se com amigos e parentes amarrados ou enforcados no alto de postes da sua cidade natal, Lodz, e viu soldados alemães arrancarem as barbas de judeus com as mãos, deixando suas faces em carne viva. No entanto, este foi apenas o começo da série de crueldades impingidas aos judeus.

Levados para diversos campos de concentração, Aleksander viu sua mãe pela última vez ao descer do trem que os levou para Auschwitz, lugar onde viveu os momentos mais torturantes da sua vida. Separado de sua família, viu pela última vez o rosto de sua madrasta, a quem tinha como verdadeira mãe; também não teve mais notícias de sua tia e sua avó. Em Chelmno, primeiro campo de extermínio da Polônia e que fazia parte do complexo de Auschwitz, seu avô foi uma das 360 mil vítimas.

Durante os cinco anos em que ficou prisioneiro, Aleksander contou com a presença do pai, Jacob. Porém, escondiam o parentesco para escapar das experiências pseudocientíficas do Dr. Mengele. A relação paternal é sempre lembrada de forma emocionante por Aleksander, deixando claro que entre pai e filho havia a força e a esperança que precisavam para sobreviver.

A primeira transferência foi para Birkenau, um campo criado originalmente para aprisionar ciganos e que também pertencia à Auschwitz. Em uma só noite, os seis mil prisioneiros foram exterminados na câmara de gás, sendo substituídos pelos judeus. Depois passou pelos campos de Grossrosen, Wüstergiersdorf e Kaltwasser, todos na Alemanha, onde trabalhou como escravo, ao lado de seu pai, na construção do campo de Lerche.

Meses depois, assistiu a morte de seu pai que não resistiu às semanas de caminhada numa das chamadas “Marchas da Morte”, de mais de 500 quilômetros, entre vários campos de concentração. Dos 600 prisioneiros que partiram de Auschwitz, apenas 50 sobreviveram. E novamente Aleksander estava entre eles.

A redenção veio junto com a chegada do exército aliado. Aleksander foi salvo pelas tropas que interceptaram o trem que o levava de um campo de concentração para outro. A certeza de que seu calvário teria fim veio na forma de um copo de leite quente, entregue por um soldado aliado. Aleksander Henryk Laks vive em Copacabana, no Rio de Janeiro. É presidente da Associação Brasileira dos Israelitas Sobreviventes da Perseguição Nazista e autor do livro “O Sobrevivente – memórias de um brasileiro que escapou de Auschwitz”.,

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Gert Drucker

Gert Drucker
Data de nascimento: 05 de Fevereiro de 1930
Local de nascimento: Berlinchen, Alemanha (atual Barlinek, Polônia)

 

Gert era filho único de uma família judaica da antiga Prússia bastante ligada à cultura alemã. Seu pai Benno era um dentista respeitado e lutou pela Alemanha na 1ª Guerra Mundial; e sua mãe Adele era enfermeira. Gert viveu seus primeiros anos na pequena cidade situada num lindo vale e rodeada por um lago. Ele adorava passar seu tempo na companhia dos avós Gustave e Rosalie, que o mimavam.

Durante a Noite dos Cristais, em 1938, Gert viu a sinagoga de Berlinchen ser incendiada por vândalos, que destruíram lojas e agrediram judeus. Benno foi mandado ao campo de prisioneiros de Sachsenhausen. Adele vendeu o consultório e levou Gert, com 8 anos, para Berlim. Lá, Gert era proibido, por ser judeu, de frequentar cinemas, escolas regulares e também andar nos bondes. Em 1939, Benno foi libertado e reencontrou a família.

Enquanto a família vivia sob documentos falsos, parentes do interior foram deportados ao gueto de Varsóvia, na Polônia, e não sobreviveram. Em 1942, logo após a prisão dos pais, Benno resolveu que era fugir para a Bélgica, onde o jovem Gert passou a frequentar um campo de escoteiros. Em 1943, a família chegou ao sul da França, onde se separou.

Após a invasão alemã da França, vários grupos se esforçaram para salvar crianças judias. Gert foi levado a um orfanato chamado Château du Masgelier, em Creuse, enquanto a mãe foi presa e enviada aos campos de Rivesaltes e Gurs. Em Março de 1943, Benno foi capturado em Paris, mandado ao campo de Drancy e logo depois a Auschwitz, onde foi morto. Adele e o filho trocaram cartas até se reencontrarem no fim da Guerra.

Por alguns meses, Adele e Gert aguardaram no Chateau de Corbeville, em Orsay, na França, por uma possibilidade de emigração. África do Sul e Estados Unidos eram as mais prováveis opções. Mas um sócio de Benno havia chegado ao Brasil há alguns anos e comprado propriedades, e esse foi o destino escolhido.

O que restou da família Drucker chegou a Blumenau/SC, ainda em 1946, mas escolheram Curitiba como novo lar. Gert aprendeu português e continuou seus estudos. Durante anos, trabalhou como comerciante e tornou-se funcionário dos Correios. Formou-se psicólogo, trabalhando no Ministério do Trabalho, até aposentar-se. Sua mãe Adele faleceu em 1977. Hoje, ele vive no centro da capital paranaense.

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Visita Escolar

Uma Nova Vida

 

 

 

Para muitos sobreviventes, o Holocausto começa apenas após a libertação. Deram-se conta, enfim, das dimensões da tragédia. Suas vidas nunca mais seriam as mesmas.

Voltar para casa por si só já era arriscado. Ao sair dos campos e esconderijos, retornavam a suas casas e descobriam que haviam sido saqueadas ou tomadas por pessoas que não as queriam devolver. Manifestações antissemitas explodiram em cidades polonesas, como o massacre de Kielce, em 1946. As notícias se espalharam rapidamente e os judeus perceberam que não havia futuro na Europa Oriental.

Por não terem para onde ir, milhares permaneceram em campos de refugiados, ou para “deslocados” (DPs), estabelecidos pelas Forças Aliadas. Muitos deles, no mesmo local dos campos de concentração nazistas. Lá, reconstruíam suas vidas (inclusive com filhos) e esperavam para obter vistos de imigração para os EUA, África do Sul, Brasil e principalmente a Terra de Israel, então administrada pela Inglaterra e que mantinha uma rigorosa política restritiva de imigração.

O governo britânico recusou-se a conceder vistos de entrada para um grande número de judeus. Muitos tentavam entrar sem documentos, mas quando capturados eram enviados a campos ingleses no Chipre, enquanto outros eram deportados. Em 1948, foi criado o Estado de Israel – ao contrário do que se pensa, não como consequência ou epílogo do Holocausto.

Sobreviventes judeus puderam reconstruir suas vidas em novos países, onde reencontraram parentes que emigraram nos anos 1930. Porém, muitas vítimas não-judias das políticas nazistas continuaram sendo perseguidas na Alemanha. Em algumas partes, leis que discriminavam os ciganos continuaram em vigor até 1970, assim como a criada pela Alemanha nazista para prender homossexuais, em vigor até 1969.

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George Legmann

George Legmann
Data de nascimento: 08 de Dezembro de 1944
Local de nascimento: Dachau, Alemanha,

 

Em 1940, a cidade de Cluj, juntamente com o resto da Transilvânia do Norte, foi devolvida à Hungria por imposição da Alemanha nazista e da Itália fascista. Essa decisão era fruto do Tratado de Trianon, assinado no pós-Primeira Guerra Mundial, que despojou a Hungria de cerca de 70% do seu território.

Depois da ocupação da Hungria pelos alemães, em março de 1944, medidas de discriminação contra judeus foram implementadas e, em maio do mesmo ano, as autoridades começaram a transportar os judeus para o gueto de Cluj-Napoca; dentre eles a família de Elisabeta Török.

Em 28 de Maio de 1944, ela e a família foram deportados de Cluj-Napoca (em húngaro, Kolozsvar) com destino ao campo de Auschwitz. Elisabeta escondeu sua gravidez e, após a chegada, embarcou com a mãe Regina num dos três caminhões estacionados, justamente no único que não ia diretamente às câmaras de gás. O pai Moisés e seu filho Alexandre Török foram assassinados, dentre cerca de outros 16 mil judeus de Cluj.

Semanas depois, Elisabeta foi deportada ao campo de concentração de Kaufering, um sub-campo de Dachau, na Alemanha. Quando descobriram que ela e outras seis prisioneiras estavam grávidas, o médico ligou para um oficial nazista, com a intenção de transferi-las. Porém, com as tropas russas se aproximando e já em clima de fim de Guerra, o oficial mandou que o médico fizesse o que quisesse. Assim, as sete mulheres, incluindo Elisabeta, deram à luz com a ajuda de um médico que também era prisioneiro. Em dezembro de 1944, nascia George Legmann.

Porém, o médico quis tirar seu recém-nascido, já que George era um bebê loiro e de olhos claros, o estereótipo ariano. Mesmo ameaçada de morte, Elisabeta se negou a entregar o filho e, com leite de sobra, amamentou outras duas crianças. Quatro meses depois, George foi libertado ao lado da mãe.

Após a Guerra, a família retornou a Cluj-Napoca e, em 1960, conseguiram emigrar. O destino foi o Brasil, que havia reatado relações diplomáticas com a Romênia e convidado 50 famílias para emigrar. Aos 16 anos, George chegou a São Paulo, onde vive até hoje.

Em 29 de Abril de 2010, em ocasião da comemoração dos 65 anos da liberação de Dachau pelo 7º Exército Americano, cinco dos sete “bebês” se reencontraram na Alemanha, incluindo George.

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Propaganda Nazista

Hitler e seu ministro Goebbels implantaram um método de controle de massa por meio da propaganda, percebendo a importância do povo na composição do poder totalitário. Tudo era possível no jogo da propaganda, inclusive mentiras e calúnias: transformaram judeus e outros povos em vilões e Hitler em herói. Criaram símbolos, histórias e slogans para incitar o ódio.

Utilizaram rádio, cinema, teatro, literatura, poesia, artes plásticas, música, arquitetura, cartazes, eventos e a imprensa para conquistar e enganar a massa.